segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Ciência e Religião

Quando vejo um cientista ou intelectual, encastelado no frágil abrigo da sua intelectualidade de ser cuja identidade cromossômica é apenas 0,2% dessemelhante da de um chimpanzé, defendendo e pregando o ateísmo, consigo entender como o ser humano pode ser presunçoso quando supõe que os conhecimentos que possui o autorizam a crer, racionalmente, na inexistência de Deus. Olvidam Shakespeare que, em Hamlet, nos lega à racionalidade prudente advertência, ao sentenciar que: "Há, entre o céu e a Terra, mais mistérios do que sonha a nossa vã filosofia".

E quando tais pessoas defendem a impossibilidade absoluta de compatibilização entre essas duas vigas mestras de sustenção do entendimento humano e natural, é porque estão examinando a questão do ponto de vista exclusivo daquilo que defendem: defesa cega, intolerante e, porque não dizer, apaixonada.

O que vislumbro para o futuro é o enlace inevitável entre esses dois institutos, o que se debuxa já nos dias hodiernos, de modo que serão complementares entre si até que se tornem um só instituto.

Apenas uma inteligência limitada é capaz de ser hermética quanto à admissibilidade de existência de uma inteligência superior, eterna e imutável, de onde provém tudo o que existe.

Recentemente assisti, numa aula num curso de atualização em ciências criminais que estou fazendo, nosso orientador, sociólogo e ateu, debater com uma colega, religiosa, sobre a existência de Deus. Depois de asseverar, através de alguns argumentos, que Deus não existe porque a sua existência não pode ser comprovada por meios científicos, ele arrematou, verborragicamente:

- Deus não existe! Ou você já viu esse cara?!

Professor, eu nunca vi meu pensamento, mas sei que ele existe...

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Opa!

Certo dia, num culto religioso transmitido por um dos canais da tv aberta em horário pré-matutino, o pastor de uma determinada crença religiosa - melhor não dizer qual seja - chamou ao púlpito, de onde efetuava sua pregação para o público, um homem que dizia ser cego. Impôs-lhe as mãos sobre os olhos e, de chofre, para o espanto da platéia, o homem deu mostras de que estava enxergando, olhando para todos os lados, como que absorto. O pastor, então, dirigiu-se ao seu rebanho, que a tudo acompanhava atentamente, cantando suas aleluias diante do milagre recém-operado. Foi então que numa de suas expansões verbais mais exaltadas - e menos cautelosas - no afã de tentar dar comprobabilidade ao evento miraculoso diante da multidão que o assistia, o pastor indagou do "ex-cego":

- Irmão, que que cor é essa?
- É azul, pastor!
- E essa aqui, que cor é essa aqui?
- É vermelho, pastor!
- Esse irmão era cego de nascença e agora voltou a enxergar! Glória a Deus, aleluia!

A arquitetura que sustenta a mentira rui quando as palavras são mal empregadas: é nesse momento que ela escapa; no caso em tela, de modo sutil. A mentira, mais cedo ou mais tarde, sempre cede espaço à verdade, que triunfa para o bem. A mentira sempre já traz em si o gérmen de sua própria insustentabilidade. A verdade muitas vezes é perigosa, mas o homem de bem jamais deve deixar de dizê-la.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Passado no presente

Muitas vezes, as impressões de lances menos felizes do passado teimam em se fazer presentes no tempo hodierno e não raro se sofre com isso, pois é viver mais vezes o que já passou: é uma maneira de se perpetuar o sofrimento. Todavia, não deixe de lembrar que a sua vida flui como um rio e, como tal, suas águas são correntes e as que já passaram não tornarão mais a mover o moinho com o qual você produz a substância diária de sua vida. Se outrem errou com relação a você, perdoe; se ainda não puder perdoar, empregue esforço em esquecer: de que adianta ficar alimentando rancor ou vindita? Isso também não constitui modalidade de prolongamento do sofrer e não só dilata e amplia a cadeia de dor? Lembre-se de que "errar é humano" e mais ainda de que "perdoar é divino". Agora, se foi você quem errou, peça perdão e se perdoe também. No mais, para não se ver escravo de lembranças que mais parecem fantasmas insepultos, tenha memória seletiva e pronto!

Fantasmas e véus

Se você fizer uma visita aos recônditos do seu ser, certamente se avistará com seus medos e equívocos: os primeiros são "fantasmas" que nos assombram (muitas vezes sutilmente) no dia-a-dia, obstacularizando nossos sonhos; são ilusões que precisam ser desfeitas; os segundos, são os véus que nossos impulsos, desejos e sentimentos menos felizes colocam diante da razão e que nos atrasam a felicidade. Portanto, não se deixe assombrar por esses "fantasmas" e, tão logo, excorcize-os corajosamente de sua vida, nem também olvide o imperativo de retirar de sua vista o véu que se pôs entre você e sua paz verdadeira. Trate de desfazer seus medos e equívocos, mudando para melhor.

Exercício diário

Todo dia eu me descubro mais um pouco, atendendo ao axioma socrático que nos recomenda o conhecimento de si próprios. Mas, por que é importante o conhecimento de si mesmo? Certa feita um amigo me disse que fica mais fácil a gente se dominar quando se conhece. Assim, admitida essa idéia, autocontrole requer autoconhecimento. E se você me permite o alvitre, ao final do dia, antes de por a cabeça sobre o travesseiro, visite as lembranças do dia que se finda e afira as ações que praticou durante o dia na balança da sua consciência, separando o joio do trigo, o que fez certo do que fez errado, aonde pode melhorar e o que fazer para superar possíveis más inclinações e tendências menos felizes do seu comportamento, sempre se propondo a evoluir como ser humano.

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Leão

O que me ocorre, eterno e fiel amigo, é a tua lembrança insepulta por todos esses anos; a tua imagem de guarda, sereno, meigo e atento, ao meu pé, como uma esfinge que vigia o tempo. Como uma flecha, tu disparavas mata a dentro, tangendo o gado e as criações junto com a voz vaqueira do meu avô. Tu eras preciso, conhecias todos os ângulos da mata fechada. Incansável, diuturno, tu não querias nada em troca, senão o alimento em sobras e um pouco de atenção e carinho, que te era um luxo. Recordo que curvavas ante as grosserias imerecidas, mas a tua inação era antes humildade servil que covardia. Quantas vezes teus olhos não denunciaram fome e o teu corpo trêmulo, o frio. Mas com fome e frio, esquecido, muitas vezes tu atravessavas as noites sem abrigo digno, fora de casa e, não obstante, amanhecias antes do sol e dos pássaros, feliz apesar de tudo, pulando, querendo carinho, mesmo que em migalhas. Nunca deixaste de resistir a um assovio, oportunidade com que te apresentavas rápido e como que lépido, balançando graciosamente o rabo, que nunca vi colocares entre as pernas. Nem nunca refratário fostes a uma voz de comando. Nunca hei de olvidar quando a tua valentia afugentou os dois bois bravos que nos estranharam perto das Casas de Telha, tu sozinho contra chifres afiados, saístes vencedor. Soube, entre lágrimas, da tua morte, tu já velhinho, sem possibilidade de defesa, diante da arma mortal, que te cravejou de chumbo. Tu não esperavas aquilo, após tanta fidelidade. Mas enquanto eu for vivo, tu viverás através da minha lembrança, feliz, alegre e risonho, como nos tempos idos.

De graça é mais caro

Nada é mais caro, para a pessoa de bem, do que aquilo que lhe é dado de graça. Em verdade, é vendido duas vezes, por dois preços distintos: o do valor em si e o da cortesia, que não pode ser mensurado. A cortesia é um dos mais belos ornamentos do caráter.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O melhor amigo do homem



Essa é pra reflexão. Vi no Buteco.

As três etapas da vida

Devemos gastar a primeira etapa da vida conversando com os mortos: nascemos para conhecer a nós mesmos e os livros nos transformam em pessoas. A segunda etapa devemos passar com os vivos, vendo e registrando tudo o que é bom no mundo, lembrando que "o talento se educa na calma e o caráter, no tumulto da vida". A terceira etapa, essa pertence a nós em sua integralidade: dedique-mo-la a filosofar com o que aprendemos nas fases anteriores.

Vinte e nove

Num dos dias de fevereiro é que aniversario os meus 29 anos de idade. Vinte e nove... Quantos dias ficaram para trás enquanto eu venho sobrevivendo todos esses anos... Não apenas dias com sol e lua, mas com todos os aspectos relevantes que eles para mim encerraram, cada qual com suas 24 horas. De quantos dias ainda darei testemunho? Ninguém tem essa resposta, salvo Deus. O que posso responder com certeza é que um dia irei "estudar a geologia dos campos eternos", como bem eufemiza Machado de Assis. Mas de uns tempos pra cá, a idéia da morte não me angustia tanto quanto antes. Outro dia explico o porquê disso, já adiantando que o farei sem qualquer intento proselitista. Por ora, assevero apenas que, quando menino, pensava na morte como o nada, o fim absoluto; e o meu peito se comprimia de medo; hoje, já assimilo um pouco melhor o significado desse evento que, dentre todos os da vida, é um dos poucos dos quais nossa razão porta certeza irrefutável. Na data em que faço aniversário, os momentos que aproveito com mais significado são aqueles em que agradeço à "Inteligência Suprema e Causa Primeira de todas as coisas" por mais um ano de vida; os minutos dedicados a reflexão sobre o que ando fazendo de mim por todos esses anos e em que preciso mudar para me tornar melhor; e os instantes de contato com os amigos e suas congratulações. No mais, é para mim um dia como qualquer outro. Não me sinto velho por ocasião dessa data. Me sinto precisamente como o vinho de uma garrafa.